quarta-feira, 23 de abril de 2008

Foguetões em marcha



O que se passa com o Prodigy? Há vídeos do novo H.N.I.C. 2 a circular, todos eles muito semelhantes, todos eles banais. Se bem me lembro, ele nunca teve sorte neste formato: na "It's Mine" com o Nas, parece um ogre quando está a conduzir o iate e um chulo horrendo à beira da piscina; a "Quiet Storm" só não morre de escassez de inspiração e classe porque os tons rouge enganam; o surrealismo (futurismo, o tanas) ridículo da "Put 'Em In Their Place" mete dó. Por isso, resta-nos um artista que, à falta de uma exploração estética mais rica e estimulante, se tenta elevar na componente musical. Ele já deu provas disso, mas são provas que vão aparecendo, aos bocadinhos, a pedir que alguém dê por elas, que as reconheça e acabe por elogiar inconscientemente uma carreira instável. As novas faixas são muito, muito fracas e, sinceramente, não sei reconhecer o verdadeiro problema nelas. Não sei o que, aqui e ali, poderia ser remediado. O Prodigy dá sinais de moleza. Alienação. Alienação por achar ainda que o que anda a fazer é suficientemente bom. E é triste vê-lo achar isso.

sábado, 29 de março de 2008

Arroz diverso


Se o novo disco dos Roots tiver mais cinco, seis faixas deste calibre, compro-o (e esqueço a "Birthday Girl"). Ou muito me engano, ou o Wale vai ter este ano só para ele. E merece, depois de uma porradona de mixtapes, de ser presença frequente em sets do Nick Catchdubs, de ter feito algo tão bom como "Nike Boots" e genial como "Good Girls" e de, vá lá, ter partilhado uma capa da URB com os Justice. Não precisa de provar mais nada.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Soluços

Por que razão é que, no geral, os vídeos subvalorizam as próprias canções? Tinha na ideia, por exemplo, que a "Speedin" do Rick Ross com o R. Kelly era péssima e, agora que a arranjei, soa incrivelmente bem. Experimentei fazer o inverso: peguei no mesmo tipo e, tendo já a "The Boss" com o T-Pain na ponta da língua (dos ouvidos), vi o vídeo e, hm, achei-a medíocre. Ou então sou eu que sou picuinhas.

Unhas


Disco a solo do RZA este Verão. Para já, "You Can't Stop Me Now" é aborrecida para caraças. É um tema chato, mesmo que o flow fresco o disfarce. Se há coisa terrível no mundo é uma canção estar demasiado presa e dependente do sample que usa. Ainda para mais, quando ele é mal escolhido. Neste caso, cansa e chega a enervar. O Raekwon e o Ghostface já o haviam dito: o RZA (ou Bobby Digital) está perto de um grave estado de demência. Muito perto.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Casa seca


Não sei muito bem explicar o meu ódio pessoal aos Klaxons. Vi-os acidentalmente no Super Bock Super Rock, onde deram um concerto em loop repulsivo, conheço os singles pobrezinhos e cheguei à conclusão que as aparições que fizeram em bares underground de Londres serviram apenas para as pessoas (os putos) voltarem a usar a fluorescência do acid house. E são daquele tipo de bandas que, à falta de inspiração, gostam de dizer que não sabem tocar nenhum instrumento e que fazem música para satisfazer almas. Isso não chega. Ainda para mais, falo de uma que actuou com a Rihanna nos Brit Awards. Foi péssimo. Para além de a estética monstruosa igual à dos espectáculos dos Daft Punk não se enquadrar, a consistência que se espera num cruzamento de duas canções de diferentes artistas não existe. Este segundo ponto é óbvio quando a Rihanna está num plano de vantagem em relação aos Klaxons. Parece que montaram uma muralha invisível que os separa e descontextualiza, descaradamente visível a partir dos 03:18. No caso dos Klaxons, denota-se farsa e desleixo, pormenores que são escondidos em disco (a Mentira) mas facilmente denotáveis em palco (a Verdade). São tudo factos. Puros. E, bom, acho que são suficientes.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Brilho escuro


Será pedir muito a morte do DJ Khaled? É que, não sei, ouvi-lo gritar "We the best" ou "We takin' over" no início de todas as produções e parcerias do Rick Ross torna-se pouco estimulante e digno de bocejo. Para não dizer desprezível. Pelo contrário, a contribuição contínua do T-Pain é um valor enorme que enriquece uma meditação em torno do capitalismo que, à partida, se mostra pouco rendível. Esta não é excepção. Facto: o Rick está com um flow cada vez mais ofegante e fatigado, o que me leva a pensar que ele faz as gravações sentado numa poltrona forrada a ouro, depois de uns breves minutos a correr na passadeira. Faz todo o sentido, já que o novo hábito dele é mostrar o peito enorme que tem (tudo começou aqui e já se expandiu).

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Mamã


Finalmente o devido mérito ao Bobb Trimble. O nome dele nunca passou de mera vadiagem por pequenos artigos dedicados a pérolas obscuras do psicadelismo americano, mas a reedição dos dois discos originais dele serviu de sopro para, pelo menos, dar a conhecer ao público uma obra genial como Iron Curtain Innocence. Bom, basicamente, é o que o Ariel Pink anda a fazer hoje em dia: domar a pop com ácido debaixo da língua. "Your Little Pawn" faz-me pensar que ele merece um trono no Céu.

Lúcias amigas


É seguro dizê-lo: "Shove It" da Santogold é um daqueles belos presentes que não são vistos como tal por terem um embrulho foleiro. O lado trashy da pop sempre me deu a volta ao estômago (cores berrantes ferem-me severamente os olhos) e é o que há de mais vistoso nela. Mas "Shove It" banha-se de dub, soa incrivelmente bem e não se perde por arriscar. Por favor, alguém que peça ao Naeem Juwan para editar uma mixtape com freestyles por cima de malhas do Keith Hudson.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Pureza no alcatrão


À excepção de Baltimore, Brooklyn parece ser o local de acolhimento perfeito para todos os tipos marados da tola e que pretendem investir no desconstrutivismo e insanidade através da música. Não é novidade nenhuma que Nova Iorque tem um background notável em matéria de espaço de autonomia artística, mas o caso do bairro citado em particular demonstra uma enorme transgressão dessa ideia, quando se olha para os Black Dice, Excepter e Yeasayer. Não é preciso ir muito longe, quando o 77 Boadrum foi realizado pertíssimo da Brooklyn Bridge. Esta tendência perpétua para a experimentação é amplificada agora pelos Free Blood. Descobri a página deles há bocado e a primeira conclusão a que cheguei foi que o início da "Weekend Condition" é um pastiche de uma faixa dos TV On The Radio (err, Brooklyn mais uma vez) à vossa escolha. Já a "Grumpy" agrada ao ouvido pelo falsetto e pelos arranjos de cordas no refrão. É um casal e, enfim, é melhor do que outros que por aí andam.

Salada de caracóis


Mais uma prova de que a Shady Records sabe no que aposta: Bobby Creekwater. Um tipo com a devida classe, que evita registos forçados (sofríveis) ao máximo, fazendo lembrar um Guru menos messiânico e mais focado em receber pessoas de tuxedo e Baileys bem agitado, mesmo que o propósito seja informal. "OJ Simpson" é boa como tudo.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Ambulância da dor


Apesar de muitos s'esquecerem, tudo é geracional. Tudo se constrói por fases que demoram o seu tempo e o tempo que as pessoas querem que demore. A partir do momento em que a novidade se transforma em tédio, gera-se a efeméride e um buraco negro para o qual, obrigatoriamente, ninguém deve apontar lanternas. Há quem não entenda isso. Passei a tarde inteira a ver televisão e, por uma publicidade pobrezinha, descobri que ainda se dá valor a uma banda como os Korn. O nu-metal, fechado na sua estranha forma de vida, ainda tem alguma coisa a oferecer ao mundo? Se tem, passa, essencialmente, por bafio.

(Opinião de quem já usou o cap vermelho dos Yankees e Adidas Superstar.)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Turmas de borracha

(Falei no Diabo no post anterior e ele agora aparece-me com uma classe gigantesca. Mike Love + Fela = Roc Boys.)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Choro



O Re-Up Gang está de volta com mais uma série da mixtape We Got it 4 Cheap. Está disponível em stream no blog da editora e, mais uma vez, é Clipse com o Ab-Liva (dos medíocres Major Figgas) e o Sandman em pano de fundo. Pelo simples facto de o Malice e o Pusha T terem uma enorme capacidade de se demarcar sem grande esforço ou intenção. De destacar o freestyle com o beat da "Roc Boys (And The Winner Is)" que merecia ser a remix oficial do original do Jay-Z. Uma pena.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Muros que não morrem



A FADER tem por hábito criar hypes de um modo surpreendentemente subtil e discreto. De entre muitos, os mais óbvios são o Jah Cure, o Mavado, a Kid Sister (e o apogeu orgásmico da Fool's Gold) e, agora, a Teyana Taylor. Com a espiritualidade ímpar já habitual, o Matthew Schnipper revela a música dela enquanto amor supremo, soando sopros que proclamam uma «Princesa da Star Trak». "Google Me" tem um groove fabuloso, um refrão fresco e solarengo. O registo assemelha-se aos picos vocais que a Beyoncé tanto aprecia, mas reveste uma abordagem mais ríspida e cativante. A adolescência tem destas coisas. Apaixona.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Túnicas vermelhas



Hoje dei comigo a pensar no óbvio: o College Dropout do Kanye vai seguramente ser o disco hip-hop mais importante desta década. Cheguei a casa e relembrei as duas fragilidades de uma canção perfeita como a "Slow Jamz". A primeira é o Twista. Devia ser proibido convidá-lo para uns versos de uma canção melosa, na qual se exige um registo groovy, equilibrado e compactado num comboio emotivo. Ao contrário, a cadência apodrece e a ideia afoga-se. A sério, por que não antes o Common, cuja importância é reduzida a um cameo no vídeo num jogo de cartas? A segunda é o diálogo sugestivo entre a miúda e o 'Ye. Péssima escolha e o modo mais ridiculamente insolente de pôr a voz do Jamie Foxx em segundo plano. Quem prefere o clímax de uma mulher ao mel que abunda no falsetto de uma voz negra? Mas, enfim, isto sou eu que, por ver que um rapper pode dominar os céus e que o não atinge por amadorismo e ambição auto-destrutiva, exijo demasiado.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Limas


Os Beach House têm novo disco. Chama-se Devotion e é de um encanto que só a pop psicadélica consegue adornar. Não acrescenta nada ao primeiro disco (será possível distingui-los?), mas acontece que não quero nada senão mais do mesmo. Até porque não acredito que este registo se possa metamorfosear. E eu sempre gostei da ideia à volta do eterno retorno. Há três faixas do disco na página do Myspace.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Batuques


Depois de ter lido o texto do Rodrigo sobre a importância da barba no contexto actual, dei comigo a pensar: as três pessoas que detêm a maior classe neste planeta - o Baron Davis, o Rick Ross e o Freeway - só garantem os seus tronos por causa dela. A minha continua a nascer. É de lamentar.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Filhas


Ancestors é mais uma prova de que a América anda a parir aliciantes projectos black metal. Acredito que haja um milhão e doze bandas deste calibre e que não chegam a sair da garagem, o que é uma pena. Carne humana a apodrecer, com um gostinho bom.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Refúgio circular


Hm, é óbvio afirmar que o regresso do Wu-Tang Clan é um acontecimento que vai marcar este ano. De novo os ouvidos se voltaram para escutar as palavras ríspidas do Raekwon e de novo as cabecinhas reflectiram acerca da sabedoria profética do RZA. Porque estes, juntamente com o Ghostface, foram os que mais solidamente construíram um legado de quinze anos de história. E são, actualmente, os que mais cativam. O Inspectah Deck, um dos meus rappers favoritos de sempre, tem uma carreira a solo fraquíssima; o Ol'Dirty Bastard já não vive entre nós (meu, deixaste-nos o Return to the 36 Chambers: The Dirty Version e nós guardá-lo-emos para sempre nos nossos corações humanos; sim, porque tu não eras humano); o GZA resguarda-se, embora tenha o Liquid Swords; o Method Man é caricato e peculiar, mas lembrou-se de se juntar aos Limp Bizkit. Em relação aos restantes, pouco há a dizer. O que o 8 Diagrams vai oferecer ao mundo será nada mais do que uma longa reminiscência, um extenso caminho já caminhado, não sem deixar, aqui e ali, de surpreender. Houve um choque acentuado de interesses e mentalidades durante o processo, com o Ghostface convicto quanto à data de lançamento do The Big Doe Rehab, e o Raewkon a afirmar que o RZA se tinha tornado um homem autoritário e umbiguista por ter a produção nas suas mãos; não deixa, contudo, de ser uma marca evidente e própria de um grupo de tipos perniciosos, com uma mente cheiinha de ideias a fervilhar. A aproveitar a onda de lembranças, a Prefix fez um top Wu-Tang que é, no mínimo, desequilibrado, embora surpreenda na descrição do Tical do Method Man.

O Midnight Life dos Fixxers já esteve mais longe de sair e está disponível para pré-escuta na conta Myspace da SMG. É, sobretudo, uma viragem do Quik para uma nova postura e, também, para um diferente registo de voz (sofrível?).

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

É azul, é roxo


Em termos de bizarria e alienação, isto equipara-se à "I Feel Like Dying" do Weezy. Tão-somente pelas mesmas razões.